
Estes distintintivos são características que julgamos importante salientar, especialmente no contexto geral e atual da Igreja.
As referências entre parenteses são citações da Escritura Sagrada (Bíblia) que você pode conferir.
A Absoluta Autoridade da Escritura Sagrada como a Palavra de Deus
Cremos que Deus concluiu sua revelação redentiva na segunda metade do primeiro século da era cristã, quando foram compostos os 27 livros que formam o Novo Testamento; os quais completaram a Escritura Sagrada, que àquele tempo já se constituía dos 39 livros que formam o Antigo Testamento (Hebreus 1.1-3). Consequentemente, rejeitamos qualquer insinuação de que a igreja deva ser edificada, instruída e consolada por qualquer forma de revelação como profecias, visões ou sonhos. Mas firmemente cremos que a igreja deve ser edificada, instruída e consolada exclusivamente (sem combinação com qualquer ciência humana como filisofia, psicologia, sociologia etc.) pela fiel pregação e ensino da Escritura Sagrada (2 Timóteo 3.14-17).
A Absoluta suficência de Jesus Cristo como o Salvador
Cremos em Jesus Cristo como o perfeito ou completo Salvador. Somos salvos pela fé somente, e não consideramos a fé como uma virtude pessoal, nem confundimos a fé com obediência à Lei de Deus, ou prática de boas obras.
A fé não é uma potencialidade do próprio pecador, que pode ser ativada de acordo com sua própria vontade, quando ouve o evangelho. A fé é um dom de Deus (Efésios 2.8); pois nenhum pecador está habilitado a exercer esta fé salvadora. Esta fé é simplesmente confiança no evangelho, que como se encontra revelado na Escritura Sagrada, reconhece e confessa sinceramente que:
1. Somos todos responsáveis perante o único Deus, que criou e governa os Céus e a Terra (Romanos 14.10-12);
2. Somos todos pecadores ou transgressores da Lei de Deus, e por isso merecemos ser eternamente banidos da santa e bondosa presença de Deus (Isaías 59.2; 64.6; Romanos 3.23);
3. Não podemos de forma alguma reverter nossa natureza pecaminosa (Jeremias 13.23), nem quitar (pagar) nossa crescente dívida para com a justiça divina (Salmo 49.7-9).
4. Desejando ser admitidos à santa e bondosa presença de Deus, confiamos que Deus, em misericordia, somente nos recebe por meio de Jesus Cristo, seu Filho Eterno (uma das três pessoas do único e trino ser de Deus), que para a nossa salvação, havendo assumido a natureza humana, cumpriu perfeitamente a Lei de Deus em nosso lugar, e recebeu todo castigo que merecemos por nossos pecados (Atos 4.10-12).
A Organização Eclesiástica Simples (Bíblica)
A história da Igreja, tem demonstrado quão facil e constamente a Igreja deixa o caminho da simples prescrição divina e adota práticas criadas pela vontade e imaginação humana. A Igreja é um organismo vivo, é um corpo formado por pessoas unidas a uma única cabeça – Jesus Cristo (1 Coríntios 12.12-13; Colossenses 1.18). A vida da Igreja, portanto, não é meramente de caráter biológico e social, mas de orígem divina. Como um organismo cuja vida procede de Deus, a Igreja possui uma organização que se adequa a esta sua singular característica. Esta organização foi claramente dada por Deus na Escritura Sagrada; e não pode ser modificada conforme a ciência, vontade ou imaginação do homem. A organização simples que Deus deu à Igreja permite a inequívoca identificação da divina fonte da vida e poder da Igreja, distinguindo-a de qualquer tipo de sociedade humana; pois a Igreja somente pode cumprir minimamente o seu elevado designio através da comunhão com Deus. Entretanto, quando uma igreja deixa a organização autorizada, e introduz os elementos criados pela vontade e inteligência humana, ela adquire a capacidade de se manter e até crescer pelo “poder da carne”, comum a quaisquer outras instituições humanas. Assim, impercetivelmente, uma igreja começa a substituir a vida procedente de Deus, pelo poder enganoso do homem, que não subisiste para a glória de Deus, mas se corrompe e perece. A igreja não pode comprometer sua organização bíblica, criando e acumulando sistemas segundo a ciência e imaginação do homem, que a transformarão numa organização complexa e imprópria para a manifestação da vida e poder do Espírito Santo, cuja presença na Igreja foi obtida por Jesus Cristo, da parte de Deus Pai (Atos 2.32-33).
A organização simples da Igreja consiste em:
1. O sacerdócio universal de cada crente – Isto significa que cada membro da igreja foi chamado e habilitado por Cristo a cultuar a Deus e serví-lo (1 Pedro 2.4-5).
2. O papel único da família no discipulado – Nenhuma instituição, sistema ou mecanismo criados pelo homem são capazes de substituir ou superar a família em sua competência para dar uma educação integral os Filhos de Deus (Deuteronômio 6.4-9; 2 Tm 3.14-17). A família nos moldes bíblicos é a mais perfeita Escola, inclusive a mais eficiente Escola Bíblica. O discipulado e disciplina Cristã começam em casa e são continuados na Igreja. Conhecimentos especializados em literatura, matemática, química etc., podem ser obtidos por meio de livros, experiências e professores; porém, ensinar os princípios teológicos que fundamentam a vida são, conforme Deus estabeleceu, é privilégio e responsabilidade da família, como agente da Igreja. As famílias cristãs não podem tranferir este direito e dever para escolas públicas, escolas privadas lucrativas, ou até mesmo para a Escola Bíblica Dominical. O Pai e a mãe são os mais íntimos mestres e autoridades sobre os filhos de Deus, que intensivamente ensinam por exemplo e por palavras.
3. Os ofícios ordenados – O Governo e ensino na Igreja devem ser exercidos pelos oficiais (presbíteros e seus auxiliares, os diáconos) ordenados pela Escritura, e para isto chamados por Deus, mediante a eleição da igreja. Além disto, estes presbíteros exercem o governo de forma colegiada e nunca sob qualquer presbítero ou bispo local ou regional (Filipenses 1.1-2; 1 Pedro 5.1-4).
4. O governo absoluto de Jesus Cristo – Os presbíteros (regentes e docentes), representantes de diversas igrejas, quando reunidos exercem autoridade sobre estas igrejas (Atos 15.6, 22-28), porém jamais apontam um bispo sobre as igrejas. Jesus Cristo é o único cabeça da Igreja (Colossenses 1.18). As igrejas e seus presbíteros honram a Jesus Cristo como seu único Cabeça, na medida em que se sujeitam à autoridade absoluta da Escritura Sagrada, pela qual Jesus Cristo mesmo governa a sua Igreja (1 Timóteo 3.14-15).
Conceito Bíblico de Culto
A contumaz tendência da Igreja em desviar da simples prescrição divina e adotar práticas criadas pela vontade e imaginação humana não se manifesta simplesmente em sua organização, mas também no culto. A Igreja contemporânea parece ter perdido a noção de culto recuperada na Reforma do século XVI.
O Culto é um encontro entre Deus e o seu povo. Como encontro, não nos referimos ao começo do nosso relacionamento com Deus que poderia ser identificado como a regeneração e o novo nascimento. Também não estamos falando de nossa contínua relação com Deus, na qual o servimos, desfrutamos de sua bondade e somos santificados dia a dia. Referimo-nos a uma reunião entre Deus e seus filhos, que acontece em um determinado lugar e hora, e que pode ser individual, familiar ou de toda uma igreja. Este encontro, em todos estes três níveis, é absolutamente necessário, à nossa relação com Deus. Ele devia acontecer regularmente no Éden, no sétimo dia (Gênesis 2.3). Crentes devem ter seus cultos particulares (Josué 1.8), familiares (Deuteronômio 6.6-7) e eclesiásticos (Hebreus 10.25).
Nas teofanias o Deus infinito encontrava-se com a criatura finita manifestando sua glória e falando-lhe; nos sacrifícios o Santo Deus, em graça, encontrava-se com o homem pecador. Agora, em nossa presente era, quando a revelação redentiva de Deus, a Escritura Sagrada, está completa, o culto é um espiritual e verdadeiro encontro (João 4.23-24) com Deus, no qual:
1. Deus fala e mostra a sua glória, especialmente a glória da sua infinita misericórdia, em Cristo Jesus, através da leitura e fiel pregação da Escritura Sagrada (2 Coríntios 4.1-6);
2. O povo de Deus, em resposta, se oferece (consagra) a Deus, em Cristo, nas orações, cânticos, ofertas e principalmente nos sacramentos (At 2.42; 20.7; 1 Corinthians 16.1-2; Colossians 3.16; Hebrews 13.15; 1 Pedro 2.5).
Como podemos notar o culto simples (sem qualquer adição ou invenção humana) é em si mesmo grandioso e glorioso; é uma momentânea, mas frequente união entre o Céu e a terra (Gn 28.10-22), até que venham “Novos Céus e Nova Terra” (Apocalipse 21.1-4).
Igreja Reformada – Bethel Orthodox Presbyterian Church
Pr. Jorge Barros
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