Não Incrédulos, Nem Crédulos; Mas, Crentes

Cremos que a Bíblia é a Palavra de Deus. Por isto, cremos que ela não está sujeita aos erros a que outras literaturas estão sujeitas, como: más-interpretações, dados equivocados, ensinamentos deficientes etc. A Bíblia não é um livro de ciência (como de biologia, física e outras), não é uma enciclopédia de história e geografia, não é livro de filosofia. Mas, sendo a revelação e o ensino redentivo (salvador) de Deus ao homens, isto é, a Palavra de Deus, ela realmente deveria dar evidências disto, eximindo-se de erros. E isto ela faz. Seria possível colacar a Bíblia em descrédito, se fosse, de fato, possível demonstrar que ela apresenta erros. Assim, para que confiemos plenamente no que a Bíblia nos diz sobre a redenção (salvação), Deus preservou de equívocos, até em outros aspectos (como históricos, geográficos etc), a sua Palavra Escrita.

Portanto, em matéria de religião, tomamos a Bíblia como nossa norma de Fé e Prática. Não devemos acreditar em tudo que provém da religião, e até mesmo de círculos cristãos. Um crente maduro (não incrédulo, nem crédulo) não acompanha movimentos de milagres, e de "revelações". Ao contrário, procura conhecer cada vez melhor a Bíblia, e por ela se orienta. Os milagres que constam da própria Bíblia, são suficientes para nos convencer de que ela é a Palavra de Deus (Jo 20.30-31). A fé cristã não é produzida pela observação de milagres; mas, pelo ouvir a pregação da Palavra de Deus (Rm 10.13-17). Jesus também ensinou que quem não crê mediante a Bíblia, tão pouco crerá, se puder ver um grande milagre (Lc 16.31). A única revelação que realmente nos importa conhecer, crer e obedecer é a Bíblia, pois é a única pela qual,com certeza, os atos humanos são julgados (Jo 12.48). Por fim, somos advertidos de que pessoas podem se enganar e ser enganadas por milagres (Mt 7.22-23) e revelações (Gl 1.8-9), que estão além da Bíblia.

A resposta que João Calvino deu, quando os opositores da Reforma lhe pediram sinais miraculosos para a confirmação de sua doutrina, foi que esta doutrina possuía o respaldo da Bíblia, que por sua vez, já estava suficientemente respaldada por milagres. E, devemos acrescentar, por sua unidade, profecias cumpridas e ausência de erros humanos.

Se não vemos mais um mar se abrindo, descer fogo do céu, alguém andar sobre águas, multiplicação de pães e peixes, isto não significa que tais coisas não aconteceram. Mas, siginifica que o processo de composição da Palavra de Deus (Bíblia), que foi acompanhado destes sinais miraculosos, foi finalmente concluído (Hb 1.1-2; 2.1-4).

A igreja deve orar pelos enfermos, na expectativa de cura, não para promover milagres e estimular ou produzir a fé. Já mencionamos que a genuína fé cristã somente é produzida pela Palavra de Deus. Entretanto, a igreja ora pelos enfermos para buscar, em Deus, conforto e alívio para os que sofrem. Uma igreja fiel não pode honestamente afirmar que é capaz reproduzir qualquer milagre da Bíblia, e nem garantir a cura de qualquer pessoa enferma. Muito menos, poderia fazer tais declarações com o objetivo de atrair a atenção das pessoas. Uma fiel igreja prega, ensina a Palavra de Deus que é totalmente apta para promover a salvação, ensinar, corrigir educar, e aperfeiçoar o crente (2 Tm 3.14-17).