Engenharia Social Catastrófica

Pensadores pós-modernos da presente civilização estão empenhados em desenhar e construir uma nova sociedade, cuja principal característica é o lema hippie dos anos 60 de Paz e Amor. Esta será ("imaginam") uma sociedade sem guerras e violências e de amor; especialmente de amor livre, isto é, sem oque chamam de "tabus religiosos" do sexo. Isto sim, é uma utopia, ou seja, o que está completamente fora da realidade, algo que jamais aconteceu no passado, ou em qualquer lugar e jamais acontecerá. É um devaneio.

Deus criou o homem para que este desprezasse o mal e escolhesse o bem. Foi assim na Criação, antes da Queda, quando o homem possuía plena condição de escolher o bem e desprezar o mal (Gênesis 2.9,15-17). Embora o homem tenha perdido radicalmente sua habilidade para fazer a boa escolha, o propósito e a exigência do Criador não mudaram, mas permanecem - que o homem despreze o mal e escolha o bem (Gênesis 4.7).

Jesus Cristo, o eterno Filho de Deus, assumiu a natureza humana e se tornou o cabeça da humanidade que Ele mesmo redimiu, recebendo o "justo juizo" pelos pecados desta humanidade (Apocalipse 5.7-10). Ele também se tornou o modelo a ser imitado, por sua perfeita habilidade para despresar o mal e escolher o bem (Hebreus 4.15; 1 Pedro 2.21-22). A humanidade redimida que habitará Novos Céus e Nova Terra terá finalmente "aprendido" a despresar o mal e escolher bem (Apocalipse 21.1-22.5).

Porém, enquanto não chegam "Novos Céus e Nova Terra", nós precisamos da Lei, pois ela distingue claramente entre o mal e o bem, nos proíbe fazer o mal e demanda que façamos o bem. Esta não é somente uma exigência moral do Criador, é uma necessidade vital para a criatura. Por isso, nem a sociedade, nem o indivíduo podem ignorá-la sem grande prejuízo para si mesmos. A Lei a que nos referimos é muito apropriadamente chamada a Lei de Deus. Esta Lei também pode ser chamada de Lei Natural pois até aqueles que não conhecem aDeus a têm gravada em suas consciências (Romanos 2.11-16). A Lei de Deus é simples, básica, mas suficiente. Para um propósito imediato, isto é, assistir uma nação emergente que teria um importante papel em sua obra redentiva, Deus deu a Israel a sua Lei em Dez Mandamentos, ou artigos (Êxodo20.1-17). Entretanto, esta Lei por seu caráter básico tem aplicação universal, e sempre será indispensável e proveitosa a qualquer sociedade humana. Esta Lei se constitui em um perfeito guia para que escolhamos o bem e desprezemos o mal.

Considerando o propósito desta reflexão, saltaremos os quatro primeiros artigos da Lei que tratam do nosso relacionamento com Deus (Primeira Parte) e consideraremos somente alguns dos seis últimos que governam o nosso relacionamento com o próximo (Segunda Parte). O Quinto Mandamento, o primeiro da Segunda Parte, estabelece o lugar central da família para a humanidade, pois ele declara: "Honra a teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias ..." (Êxodo 20.12). Este artigo ordena a honra, respeito e proteção à instituição familiar. A família é constituída de um homem e uma mulher casados e seus filhos.

Qualquer ação ou lei que ignora a família conforme ela é descrita na Lei de Deus é um atentado contra a humanidade em sua mais profunda base. O Estado não pode, como têm pretendido alguns, ignorar a autoridade dos pais em relação aos filhos. Os pais são as primeiras autoridades que os filhos conhecem. Os filhos que honram os próprios pais aprenderão a respeitar (não a adorar) o Estado. O Estado não pode redefinir a família, em termos de sua constituição e papel, ignorando a Lei de Deus, que como já indicamos, é corretamente identificável como Lei Natural (ou até, Lei da Razão), cujo valor e propriedade são evidenciados também por sua harmonia com as Leis Biológicas. Afinal, assim como existem leis físicas que, se observadas, garantem a segurança e estabilidade de um edifício, conhecimentos ou leis biológicas que promovem a saúde invidual e comunitária, a Lei de Deus (Natural) é indispensável à segurança e a estabilidade do edifício social.

O Sexto Mandamento ordena: "Não matarás". O homicídio é a mais grave violação da Lei que regula a convivência humana. Seu dano é irreparável, irressarcível. O homicídio é a mais violenta ofensa de um ser humano contra outro. É resultado do último grau da raiva que leva um ser humano a xingar ou ferir fisicamente a outro. É o último grau do desrespeito à vida que move até uma criança a maltratar um animal e a furtar ou tomar o brinquedo de outra criança. Crianças precisam de pais santos, ou simplesmente saudáveis espiritual e moralmente, que reconhecem a Lei de Deus, que tenham domínio seu seus próprios desejos e sentimentos, que desfrutam da amorosa e complementar atmosfera do casamento, para educá-las com suas palavras, exemplos e disciplina.

Nossa sexualidade não pode ser vista como um entretenimento. Nossa sexualidade é acima de tudo o privilégio e poder de gerar vida e a vida humana, que foi criada à imagem e semelhança de Deus. A família, não obstante a realidade universal do pecado, é potencialmente uma geradora de filhos de Deus. Separar o sexo de sua finalidade primordial que é constituir um casal gerador de vidas humanas, reduzindo-o a um entretenimento, é desumanizar o ser humano. Sexo como entretenimento é muito mais perigoso que prazeroso; e isto não é só teoria; é fato experiencial e estatisticamente demonstrável. É por isso que existe na Lei de Deus um mandamento específico, o Sétimo, que ordena a sexualidade santa, ou saudável: "Não adulterarás" (Êxodo 20.14). Este proibe qualquer relacionamento sexual fora do legítimo casamento entre um homem e uma mulher (Gênesis 2.24).

Porém, os engenheiros da presente civilização global estão desafiando a Lei (seja ela chamada divina, natural ou racional). Eles estão coordenando a construção de um edifício, que quanto maior for, maior também será a catástrofe de seu desabamento. A proposta de liberação sexual é contrária à expectativa de diminuição da violência. É impossível liberar os instintos sexuais e reprimir a violência. É como se fose possível construir um edifício sobre um solo em parte sólido e em parte arenoso. O respeito à vida, que é contrário à violência, se manifesta primeiro no respeito à família, onde a vida humana é idealmente gerada e protegida desde sua fase mais delicada. O respeito à sacralidade da vida exigida no Sexto mandamento - "Não matarás", se manifesta inicialmente na sacralidade da vida exigida no Sétimo - "Não adulterás". Uma sociedade que, em consideração e respeito à vida, não se exercita no controle dos institintos sexuais, potencialmente geradores de vida, ao contrário, mata vidas humanas indesejadas ou não planejadas, jamais alcançará suficiente respeito à vida de modo a extinguir a violência. Tal sociedade está abrindo as comportas das violências represadas, e logo se verá completamente inundada.